A nova legislação estabelece critérios mais rigorosos para acesso ao auxílio, com destaque para a obrigatoriedade de cadastro biométrico e inscrição ativa no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
A medida foi confirmada com a sanção da Lei 15.399, publicada no Diário Oficial da União, e redefine o funcionamento do programa em todo o país. O seguro-defeso é considerado uma espécie de seguro-desemprego temporário, pago quando o pescador fica impedido de exercer sua atividade devido ao período de defeso
A atualização das regras tem como principal objetivo ampliar o controle sobre os pagamentos, reduzir fraudes e garantir maior precisão na identificação dos beneficiários.
O que muda no seguro-defeso em 2026
As novas exigências passam a valer de forma progressiva e impactam diretamente o acesso ao benefício. A partir de agora, o pescador artesanal precisará cumprir requisitos adicionais além dos já existentes.
Cadastro biométrico passa a ser obrigatório
Uma das principais mudanças é a exigência de biometria para liberação do pagamento. O trabalhador deverá ter seus dados biométricos registrados em bases oficiais do governo federal. Para viabilizar a implementação, a União poderá utilizar informações já disponíveis em diferentes sistemas públicos.
Entre as principais bases consideradas estão:
- O cadastro biométrico do Tribunal Superior Eleitoral.
- Os dados vinculados à Carteira Nacional de Habilitação.
- As informações da nova Carteira de Identidade Nacional.
Essa integração permite que o governo utilize registros existentes enquanto a nova identidade nacional não estiver totalmente implementada em todas as regiões do país.
Segundo autoridades, a medida busca evitar inconsistências cadastrais e impedir pagamentos indevidos, especialmente em locais onde já foram identificadas irregularidades no registro de pescadores.
Inscrição ativa no CadÚnico será exigida
Outra mudança relevante é a obrigatoriedade de inscrição ativa no CadÚnico. O sistema é utilizado pelo Governo Federal para identificar famílias de baixa renda e já serve como base para diversos programas sociais.
Entre os benefícios que utilizam o CadÚnico estão o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada e o Auxílio Gás. Com a nova regra, o seguro-defeso passa a integrar esse ecossistema de dados sociais. A exigência fortalece o cruzamento de informações e aumenta a transparência na concessão do benefício.
Governo define orçamento de R$ 7,9 bilhões para o programa
A nova legislação também estabeleceu o limite orçamentário do seguro-defeso para 2026. O valor autorizado é de R$ 7,9 bilhões, o que demonstra a relevância do programa no cenário nacional.
O benefício tem grande impacto principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde milhares de famílias dependem diretamente da pesca artesanal como principal fonte de renda.
Além disso, a lei prevê a possibilidade de pagamentos retroativos para pescadores que tinham direito ao benefício em anos anteriores, mas não conseguiram solicitar dentro do prazo. Essa medida pode beneficiar trabalhadores que enfrentaram dificuldades de acesso aos sistemas digitais ou problemas cadastrais.
Como funciona o seguro-defeso
O seguro-defeso é um benefício temporário concedido durante o período em que a pesca de determinadas espécies é proibida para garantir a reprodução e preservação ambiental.
Durante esse intervalo, o pescador artesanal fica legalmente impedido de exercer sua atividade. Como forma de compensação, o governo concede um auxílio financeiro mensal. O valor pago corresponde, em geral, a um salário mínimo por mês durante o período autorizado de paralisação.
Quem tem direito ao seguro-defeso
Para receber o benefício, o pescador precisa atender a uma série de critérios estabelecidos pelo governo federal.
Requisitos básicos para acesso ao benefício
Entre as exigências estão:
- Exercer atividade de pesca artesanal de forma profissional.
- Possuir registro ativo no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP).
- Comprovar dependência econômica da pesca.
- Não possuir outra fonte de renda relevante.
- Cumprir obrigações cadastrais e previdenciárias.
Com a nova legislação, passam a ser obrigatórios também o cadastro biométrico e a inscrição atualizada no CadÚnico.
Ministério do Trabalho assume gestão dos pagamentos
Outra mudança importante envolve a administração do benefício. Desde o final de 2025, a responsabilidade pelos pagamentos do seguro-defeso foi transferida para o Ministério do Trabalho e Emprego.
Antes, essa função era desempenhada pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Com a nova divisão, o Ministério do Trabalho passa a concentrar a gestão financeira do programa.
O INSS continua responsável pelas questões previdenciárias, especialmente relacionadas às contribuições dos pescadores. Essa reorganização busca tornar o processo mais eficiente e especializado.
Atendimento será ampliado para validação de dados
A legislação também prevê a criação de canais de atendimento para pescadores que enfrentarem dificuldades na validação biométrica ou na atualização cadastral.
Atendimento presencial e digital
Os trabalhadores poderão solicitar revisão de dados por diferentes meios, incluindo atendimento presencial e plataformas digitais. Os serviços deverão ser oferecidos de forma gratuita, garantindo acesso universal ao processo de regularização.
Medidas para comunidades isoladas
O governo também incluiu medidas específicas para atender pescadores que vivem em regiões de difícil acesso. Entre os casos contemplados estão pessoas com acesso limitado à internet, dificuldades de deslocamento ou que residem em áreas rurais e ribeirinhas. A iniciativa busca evitar exclusão social e garantir que todos os beneficiários consigam cumprir as novas exigências.
Lista de beneficiários será divulgada mensalmente
A nova lei também reforça a transparência do programa ao determinar a divulgação mensal da lista de beneficiários. O Ministério do Trabalho deverá publicar informações como nome do pescador, município de residência e número de inscrição no registro pesqueiro. A medida amplia o controle social e permite que a população acompanhe a distribuição dos recursos públicos.
O que os pescadores devem fazer para garantir o benefício
Especialistas recomendam que os trabalhadores da pesca artesanal adotem medidas preventivas para evitar bloqueios ou atrasos no recebimento do seguro-defeso.
Atualizar o CadÚnico regularmente
Manter os dados atualizados é fundamental. Informações como endereço, renda e composição familiar devem estar corretas no sistema.
Verificar situação do registro pesqueiro
O Registro Geral da Atividade Pesqueira deve estar ativo e regularizado para garantir o acesso ao benefício.
Conferir dados biométricos
Quem já possui biometria cadastrada em sistemas oficiais, como título de eleitor ou CNH, pode ter os dados aproveitados automaticamente. Ainda assim, é importante acompanhar eventuais solicitações de validação feitas pelos órgãos responsáveis.
Mudanças devem ampliar controle e reduzir fraudes
As novas regras do seguro-defeso indicam um movimento do governo em direção à modernização dos programas sociais. A adoção de biometria e integração com o CadÚnico fortalece o controle sobre os pagamentos e reduz brechas para irregularidades.
Ao mesmo tempo, a ampliação dos canais de atendimento e a previsão de medidas para regiões isoladas demonstram uma tentativa de equilibrar rigor administrativo com inclusão social.





